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O Politicamente Correto nos Games

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Antes de mais nada é importante saber que este artigo discutirá sobre questões ideológicas e sociais dentro de jogos, o propósito dele não é uma abordagem filosófica, ideológica, politica, também não tem a intenção sobre qualquer angulo de apoiar ou desabonar qualquer questão ideológica ou social, nem possui o proposito de mudar o pensamento do leitor sobre suas convicções, somente um prisma sob o uso destes elementos no entretenimento digital que em partes ocasiona uma censura natural limitando nossas experiencias como jogadores.

Você Faz Parte

Quando você olha para sua mãe ou seu pai e vê idosos, significa é a sua geração que esta no controle, que de maneira geral foi criada enraizando a cultura passada pelos seus pais, mas com suas próprias formas de ver o mundo, inclusive discordando deles, neste ponto você mixa realidade e contexto do que acha que é certo, cria suas próprias regras e repugna as que não viu valor na sua criação, é como criar filhos, você não precisa ter um para ter uma noção do que acha que é certo em uma criação, parabéns isso quer dizer que você é um adulto e também que tem mais contas para pagar do que cervejas que bebeu na adolescência.

Pois bem, uns acham certo outros errado, mas o fato é a sua e minha geração é a do Politicamente Correto e não culpe os adolescentes, eles ainda estão seguindo o que os adultos falam, daqui uns 10 anos eles falaram por si só.

Motivação

Talvez este fenômeno tenha sido motivado pelo medo de sermos negligentes com nossos filhos, como talvez fomos pelos nossos pais, pode ser que você percebeu que uma apresentadora de programa infantil não devesse se apresentar com decotes avantajados e pernas expostas (E você pensava que seu pai assistia com você pela sua companhia), talvez você ache que por anos de sua infância comprando cigarros ou bebidas para seus pais com a garantia das moedas de troco sendo suas, possa não ter sido uma boa ideia, ou que pessoas fumando em qualquer lugar por status não seja legal, principalmente a ideia genial de cigarros de chocolate, talvez a banheira do Gugu as três da tarde mostrando corpos em contato e genitálias em ereção não fosse uma coisa boas para crianças, pensar que você andava no banco da frente com 5 anos e cinto de segurança era só uma coisa chata que machucava o ombro, pode não te fazer sentir bem, lembrar que você tomou Redbull na infância com o nome de Biotônico Fontoura e até se viciou nele, possa te deixar um pouco com medo da sua mãe, por fim, motivos para o pensamento correto não faltam e eles não são ruins correspondem a uma evolução intelectual, mas na vida tudo é preciso equilíbrio, bem e mal são apenas contextos relativos e não existem, se todo mundo decidir cometer assassinato e o senso comum adotar como correto, o errado é não matar, também negar de mostrar algo que existe não o torna inexistente, fugir da realidade é alienação.

A Origem

Não é difícil entender porque o politicamente correto e mensagens de cunho social entraram nos games, a mais de uma década a industria de games passou a ser uma potencia do entretenimento com alcance de milhões de pessoas em todas as faixas etárias, é claro, é obvio é logico que iria começar a adotar questões humanas mais complexas como o cinema faz a anos, a arte sempre foi uma forma de expressão relevante de alto alcance e game hoje é Arte.

Enquanto estávamos soltos no contexto de virtualização da vida real em meados dos anos 2000, onde ainda existia uma linha de separação Virtual e Real, podíamos usar os jogos como fontes de realizações de coisas que nunca faríamos na vida real, eu nunca sufoquei ninguém com um saco de lixo, mas não vou negar como isso era divertido em Manhunt, nunca pratiquei bulling na escola, pelo contrario eu sofri (Imagina minha situação, Gordo, Sistemático, Nerd e melhor aluno da sala, eu realmente sofri!), mas adorava jogar Bully, eu jamais assaltei em toda minha vida mas amava roubar e espancar pessoas inocentes em GTA San Andreas, também não me lembro de ter praticado nenhum ritual satânico mas ir para o inferno com Doom era ótimo.

Era uma época onde os desenvolvedores criavam mundos virtuais o pensamento tecnológico da época era colocar o homem ao alcance do que ele queria mas não podia fazer na vida real, porque a vida virtual era separada.

Hoje a coisa não é bem assim, a vida virtual em vários quesitos é real, quando você compra algo com seu cartão de credito o dinheiro é de verdade, os serviços virtuais são de verdade e resultam de alguma forma na sua vida real, quando você posta algo em sua rede social isso pode até mesmo fazer você perder seu emprego ou se promovido (durante o tempo que mantive o Canal com meu emprego consegui abrir portas em meus trabalhos com TI através de meus conteúdos do youtube), quando você joga um multiplayer isso pode impactar em sua vida social, você briga, faz amigos pode até se casar com alguém que conheceu em uma partida de PUBG, dessa forma é de se esperar um nível de responsabilidade das empresas em seu conteúdo, gerenciamento e administração, por outro lado, as pessoas esquecem que ainda existe e sempre vai existir o virtual desconexo da vida real, no virtual só não pode o que você não quer e quando você não quer algo por achar desqualificado a sua ideologia e impõe aos outros, esta agindo como qualquer Ditador, ou seja ditando as regras para todos que só se aplica a você.

A “Culpa” é de quem Cria e de quem Joga

Jogo é Arte e Arte é expressão de contextos ilimitados, culpar um jogo por ferir seus princípios ou fazer um jogo pensando em culpa de princípios é censura e ela se aplica em todas as direções não apenas o que você ou a produtora acha correto (Lembre-se do Ditador Acima).

Vou usar um exemplo onde todos são “Culpados” Battefield V, o jogo possui, uma campanha focada na narrativa de Historias da Guerra, no caso a segunda guerra mundial, aplicando uma enredo social de minorias contada a cada historia, o foco é representar que uma guerra é lutada por todos, não existem grupos específicos, ideologia, politica certo ou errado em trincheiras, só pessoas contra pessoas, que seus inimigos ideológicos podem ser seus aliados reais.

Lindo isso não? Sim, mas infelizmente o jogo falha miseravelmente em seu foco e retrata uma ficção unilateral projetada em fatos reais que mais prejudicam minorias do que apoiam, transformando todo individuo de grupo social minoritário citado no jogo como um super humano em relação aos demais grupos, criando igualdade com desigualdade (uma especialidade humana).

O Curioso desta campanha de BF V é que ela possui uma série de contextos sociais contraditórios, mas o que realmente veio a tona foi a cobrança em cima da personagem feminina que protagonizou a resistência Norueguesa, com o apelo dos jogadores de que se tratava de uma falsa inserção no jogo, dado que oficialmente as mulheres não serviram em campo de batalha na Segunda Guerra, o contraditório nesta posição dos jogadores, é que o ponto questionado como errôneo pelos players esta correto, a mulher em si não fazia parte de nenhum exercito nem era militar, era de uma resistência civil, que independente da guerra pode conter homens, mulheres, crianças até idosos, pois representa a sociedade em guerra.

E falando em falsa inserção no mesmo jogo BF V não foi questionado o capitulo o Ultimo Tiger onde mostra um comandante Nazista da SS, que no ultimo minuto olhou a sua volta e percebeu todo o mau que tinha causado, mostrando que a humanidade sempre vai ter continuidade, devido a nossa auto consciência de compaixão. Lindo de mais, só que nada real a SS era a elite da força Nazista, soldados “Puros” treinados exclusivamente para serem leais ao Partido Nazista seu lema era “Mein Ehre heißt Treue”, que em português significa “Minha Honra é a Lealdade”, as chances de um oficial da SS se arrepender e ser tocado pelo seu coração em um colapso emocional eram extremamente improváveis, certos ou errados eles lutaram até o fim, matando seus próprios pelotões como exemplo de lealdade, como o famoso caso real de Erich Priebke ex comandante da SS que assumiu sua participação no massacre de Roma e ao ser questionado sobre arrependimento Priebke disse que “Apenas Cumpri Uma Ordem”,

Entenda que não esta aqui exposto o certo ou o errado, mas sim a incoerência da produtora que mesmo estando correta no aspecto inicial provocou um debate desnecessário e por fim errou pois o fato “Falso” em questão não é a mulher em si e sim uma pessoa combater sozinha vários postos avançados Nazistas e dos players a questão de sempre serem incoerentes em suas reclamações, pois é solicitado realidade de um lado mas quando o enredo agrada sua ética humana ele não se importa com o falso.

Outro caso que podemos citar é o de Last Of Us Part 2, o jogo quem nem ao menos possui data de lançamento causou, polemicas do politicamente correto de todos os lados, as redes sociais ficaram infestadas de apoiadores e opositores ao Beijo entre duas garotas, expondo a fragilidade de maturidade emocional humana com frases como, “não sabia o que dizer ao meu filho” ou “A Sony apoia minha causa”, transformando uma simples cena de um jogo em uma guerra ideológica sobre Homossexualidade.

Vamos lá, sem ao menos entrar no contexto sobre a homossexualidade podemos observar a incoerência humana que só consegue priorizar suas próprias vontades, durante o decorrer do mesmo trailer a mesma garota que inicia com um beijo em outra garota é mostrada cerrando brutalmente uma cabeça de um inimigo, mesmo depois de matá-lo, uma cena de pura crueldade e brutalidade humana movida por simples ódio, onde o mesmo pai que ficou constrangido com seu filho vendo o beijo, não se importou quanto a brutalidade e o apoiador do beijo continuou a ver o amor florescer em todas as suas formas, em resumo, o politicamente correto errado, um peso duas medidas, se censuramos o beijo, censuramos a violência e talvez tenhamos Super Elle Word pisando em cogumelos e escravizando dinossauros. E ai? Você concorda só cortar o que te incomoda? (Lembre-se do Ditador Acima).

Mais uma vez esclareço que não esta em debate o certo ou errado, sempre terá pessoas discutindo questões, éticas, sexuais, raciais, ideológicas, politicas e afins, contra e favor na vida real, talvez não exista a necessidade de trazermos isso para o virtual, tanto para quem faz jogo quanto para quem joga.

O Politicamente Bancário Correto

Questões filosóficas, politicas, contextuais e ideológicas e afins são áreas de conhecimento comum, todos nós sem exceção somos capazes de discutir, uns com mais propriedade outros com menos, mesmo porque é subjetiva e em vários pontos utópicas, ou seja, maior alcance. Os desenvolvedores de BF V ao divulgar inicialmente a cena com a mulher na Segunda Guerra tinham plena convicção sobre o alcance que teria, a Sony não iniciou o trailer de um dos jogos mais esperados do Playstation com um Beijo entre duas garotas para mostrar o amor sem fronteiras, não meu amigo, eles estão colocando a boa e velha propaganda boca a boca em todos os locais, pode funcionar ou não no resultado final, mas o fato é que milhões de dólares foram economizados com propaganda gratuita, se ainda duvida já ouviu falar de Hatred, um jogo de um estúdio independente que causou um panico na internet, isso porque o jogo era baseado no ódio, você é um psicopata maluco que decidiu se armar e sair matando todos no bairro, sem propósito ou necessidade, simplesmente por odiar, uma referencia talvez aos assassinatos nos USA em locais públicos, o jogo transformou um estúdio microscópico na coisa mais falada na época que saiu seu trailer, no final um jogo medíocre e no geral é cansativo e não possui um pingo de realidade, o famoso barulho por nada.

Uma questão completamente anti ética das empresas usar o conflito para promoção, neste ponto temos um reflexão:

O Politicamente Correto esta contido para promover melhor entendimento dos conflitos humanos em obras populares ou é um objeto para alcançar mais zeros nas contas bancarias? As minorias ficaram lucrativas?

Coerência e Sensatez pode ser a Resposta

As empresas tem que começar a utilizar estes temas com mais exclusividade, em jogos próprios para o contexto, ao invés de descaracterizar franquias consagradas, por exemplo, seria muito mais atraente um jogo de guerra com o prisma do filme Platoon, afinal de contas se iremos ser fieis a história não podemos gerar heróis em guerras ou usar melhor questões ideológicas trazendo um contexto natural não como destaque, isso criaria uma visão real de como são as coisas e não apenas como um vírus orgânico para ser disseminado na internet, por outro lado os players tem que parar de colocar suas convicções pessoais em obras de Arte, no final ninguém realmente se importa como o outro pensa eticamente em um jogo, todos só querem o entretenimento, talvez a aplicação do ético no mundo real seja mais produtiva, afinal, ele precisa mais do politicamente correto do que o virtual, a cada esquina esta acontecendo neste exato momento algum ato de barbaridade, criminal, ideológica, politica e afins, que sera filmado por alguém em busca do seu like no facebook, uma visão de que só queremos ser corretos no virtual, provavelmente continuamos com a ideia dos anos 2000 onde usamos o virtual para o que é impossível no real.

Eu sou Gotikozzy e Até a Proxima!

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gotikozzy

Gotikozzy é amante e entusiasta de tecnologia e Games desde criança, formado em Engenharia de Software trabalhou 20 anos na área de TI, cansou e virou Youtuber e agora também fica pagando de Editor, é conhecido por falar mais rápido do que você possa entender

5 Comentários

  1. Excelente reflexão gotikozzy. Isso está na nossa vida e consequentemente em tudo que nos rodeia, como o entretenimento.

    Parabéns pelo trabalho. Continue, por favor.

    Abraço.

  2. Muito bom! Claro, eu levo a vida mais na simplicidade, para mim jogo é feito para se jogar é claro, e a narrativa tem de se levar a isso! E só… e não acho que alguns produtores quando estão colocando um beijo gay dentro de uma história, estão arquitetando um plano maligno de dominação mundial!

  3. Achei sua reflexão extremamente válida, Goty, concordando em maioria. Pessoalmente, o conteúdo das eras retrô dos games acho extremamente mais atrativo do que o atual. Porém, uma coisa é fato: se hoje existem jogadoras mulheres como existem, o crescimento do feminismo teve um papel crucial nisto; antigamente jogar videogame era coisa de garoto, até que conceitos como este começaram a ser questionados e quebrados. A indústria apenas cai para o lado social-comportamental que sente que terá mais lucro – é a essência dela. E hoje se sabe que expandir o público, tornar gamers os não-gamers tem sido um dos principais focos faz tempo (vide Nintendo Wii).

    Hipocrisia em relação à violência? Ao erotismo excessivo? Com certeza! Mas ninguém está preocupado em se manter convincente ou dentro de uma linha de preceitos.

    O único preceito é o lucro – não interessa o que terá de ser feito para isto. Se a sociedade ruma para o politicamente incorreto, a indústria também e vice-versa quanto ao correto. E não, não estou dizendo que está errado ou certo. É apenas fato.

  4. Eu parei de jogar Overwatch justamente por causa disso, a Blizzard se meteu numa polêmica com streamer profissional porque descobriram que era um homem se disfarçando de mulher e que a própria Blizzard estava por trás disso e o que a Blizzard faz? na mesma semana anuncia que o Soldado 76 é gay (tipo, do nada) e só deixando descaradamente a impressão de que usa a minoria como escudo e teve muito burro seja minoria ou simpatizante que caiu nessa justamente porque a Activision/Blizzard está indo de mal a pior desde o Diablo Immortal daí querem fazer a minoria comprar esse jogo que nem é mais lucrativo pra eles, Overwatch do jeito que tá não dura muito e eu já previ isso a um tempo, é uma pena que não posso pedir reembolso.
    E sim, pra muitas dessas empresas as minorias são lucrativas.

  5. Texto legal. Sim, um jogo é Arte! Toda arte é imitação, mas nem toda a imitação é arte. Distinguir aquelas imitações que são arte daquelas que não são, não é algo subjetivo, mas puramente objetivo. Infelizmente, o culto ao ridículo e da exaltação ao fútil na indústria de entreterimento só aumenta até chegarmos ao completo desprezo por qualquer traço de criatividade. Hatred é um exemplo disso!

    Direto do PS4 Tech.

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